Release/Histórico
O mundo é dos estranhos. Se for um estranho apaixonado, então sorte dos espectadores. Espere as declarações mais inusitadas, as ações mais exaltadas, o amor mais intenso e sem convenções. E se o apaixonado for um membro do Pullovers querendo ser correspondido, espere também pelas melhores canções de amor.
Bruno Yutaka Saito (Ilustrada, Folha de S. Paulo)
Quando eles apareceram, em 1999, vestiam meigos pulôveres. No sujinho e tosco cenário underground paulistano, fomos introduzidos ao seu mundo de letras em inglês e alheio às músicas alheias. Após três CDs independentes e o reconhecimento no cenário alternativo, os Pullovers querem mais. A paixão pelo espírito indie e pela língua inglesa já não basta.
Fim de relacionamento, troca de integrantes (fica o fundador Luiz Venâncio, entram na banda Rodrigo Lorenzetti, Jonas Bernardi, Bruno Serroni, Angelo Lorenzetti e Gustavo Beber), rápida passagem de tempo. Novos instrumentos (além das famosas guitarras: teclados, piano, violoncelo, violão...), novos paradigmas e novas canções, todas em português. De coração partido, os Pullovers surpreendem. Continuam fofos, mas não tolos; românticos, mas não grudentos; sacanas, mas não vulgares. E mais brasileiros do que nunca, passando finalmente a dar as caras no tradicional cenário da música brasileira.
Ano 2008: garoto paulista encontra garota carioca. Ano 1932: São Paulo dá largada à Revolução. "Quando você sorriu / me reparti em antes e depois. / Hoje eu me rendo, Rio, / mil novecentos e trinta e dois".
As novas canções são de amor. "Todas as canções são de amor", canta Luiz Venâncio. "Diz a cidade que você / um dia volta pra ficar. / Em cada poste ou outdoor / dizem o que eu já sei décor. / Quem inventou o final feliz? / Como é que eu pude acreditar / em Hollywood, no que diz / letra de canção popular?".
Para eles, o amor verdadeiro acontece no asfalto, "sem vista pro mar". Os Pullovers deixam os cenários paradisíacos para os filmes, para as novelas. E deixam canções sem jeito de tirar da nossa cabeça. Como todo amor verdadeiro.
E é bom que seja assim.
Discografia:
"Teenage Darling" (demo 1999)
"Pullovers can't play covers" (cd 2001)
"Riding Lessons" (cd 2002)
"Pullovers & Geanine Marques – Carniça" (cd 2005)
"Pullovers - 1932" (ep 2006)