Home ArtistaBlogFotosFãsArtistas FavoritosMensagens
Release/Histórico
Hora de retomar o barulho na Vila Sabrina.
Esqueça o bate-estaca das fábricas ou o grito cheio de bafo do Scania 78 pela Dutra. Vem de um coletivo sem dono, sem regra, sem ordem e sem acabamento a sinfonia pop do verão. Especialmente, se suas férias forem em Bagdá. E se pop significar uma rinha em que o galo campeão seja uma mistura de Axl Rose com Lee Dorrian.
Fim do Silêncio é o auto-intitulado segundo álbum de um bando de artistas que esculpe a alma no bairro industrial da zona norte de São Paulo por onde passam duas das estradas mais importantes do Brasil. A Vila Sabrina cheira a freada de pneu, óleo vazado, churrasco na roda, pipa queimada no fio elétrico. O Fim do Silêncio cheira a Vila Sabrina.
Uma introdução ao piano abre o concerto. O que se ouve a seguir equivale ao piano em queda livre, despenhadeiro abaixo.
De Fim do Silêncio (a música) a Desvio de Caráter, Fim do Silêncio (o disco) mostra um Fim do Silêncio (a banda) com menos espinhas e mais barba. Menos piercings no sons. Mais cicatrizes nas letras.
Não há jeito melhor de dizer Em um copo d'água/ Começa o que acaba/ Olho um farto/ Seio, Olho/ Dentro do peito/ Crio um novo/ Crio um outro novo amor (Nunca Se Atem) do que com urros e sussurros. Os dois demônios de ombro que cantam no FdS sabem disso. Não há anjos, nem santos na Vila Sabrina.
Pesadelo da hipnose televisa nas tarde de domingo, a banda julga, sentencia e executa com pedradas a doutrina Warhol em Anestesiado Por Um Sonho. Quinze minutos de fama são esmigalhados em 241 segundos de Fim do Silêncio.
Mais maduro, mais pesado, mais melódico... e muito pelo contrário. No novo cd, o sexteto mostra ainda desconhecer o que seja um fraseado de guitarra, um solo, um falsete, uma tecnicidade qualquer. Graças a Deus.
Não se engane. Fim do Silêncio é (muito) bem tocado, gravado e finalizado. A masterização em Nova York tem a assinatura de Alan Douches, da West West Side Music (Comeback Kid, Terror, Madball... ). Som fino, ainda que a banda dispense talher de prata.
Que soem as sirenes das fábricas. Que venha o buzinaço na Fernão.
Alô, Vila Sabrina: é hora de retomar o barulho.
Todos a postos para o Fim do Silêncio.