Release/Histórico
"Há pelo menos duas décadas a MPB perdeu o que talvez fosse sua grande virtude: a identidade estilística. Sabíamos, por mais diferenciados que fossem os autores, que estávamos diante de uma forma de música que resultava de um século de amálgama de nossa impureza uniforme. Hoje; bem, como quase tudo nesse mundo, a MPB é apenas um não-lugar, onde pequenos oásis podem ser vistos à distância, sem muita proximidade.
O Clepsidra é uma dessas miragens. Chegue perto e veja a palavra sendo tratada sob o sol da melodia inesgotável. Mas não se iluda; mutantes, eles nunca estão onde parecem estar."
Henry Burnett, julho de 2006
Em meados de 2001, os músicos Renato Torres (vocal e guitarra) e Maurício Panzera (contrabaixo), depois de diversas experiências com bandas e artistas paraenses, reúnem-se em torno de um projeto musical. A proposta: encontrar um som contemporâneo, reunindo toda a gama de referências musicais dos dois – o que inclui necessariamente a MPB, além do rock e derivações. O Clepsidra então surge, integrando uma nova e criativa leva de artistas que fazem a música paraense despontar.
Um relógio de água – o significado do nome da dupla – passa a ser a medida estética das experiências sonoras, alicerçadas num conceito aberto de banda, que permite agregar ao formato básico do bom e velho rock´n’roll (baixo-guitarra-bateria), instrumentos outros, o que já incluiu no primeiro CD, “Bem Musical” (Ná Records, 2004), programações eletrônicas elaboradas em computador. A pesquisa se dá em torno de timbres, sonoridades e possibilidades musicais libertas de paradigmas, estilos ou formatos pré-determinados.
O núcleo donde partem as direções da pesquisa é a canção popular, em sua estrutura clássica de letra e melodia, sem deixar de privilegiar o apuro instrumental nos arranjos. No que diz respeito às letras, a poesia prevalece, sendo o ponto de partida de grande parte das composições.
Em seu segundo trabalho, “Tempo Líquido” (Ná Records, 2006), temos a transparência e a fluidez dos estados emocionais típicos dos habitantes da aquária amazônica : as chuvas, os rios, a densidade úmida do ar que respiramos, a afetividade irrigada e cabocla que nos caracteriza, confrontando-se com as aspirações à megalópole, aos desencontros e a solidão da urbe. Eminentemente acústico, e apoiado no tripé baixo-guitarra-bateria, o novo trabalho dá primazia ao olho d´água da canção, fonte primeira donde emergem arranjos que articulam sopros, cordas, percussões e teclados, deixando as vozes aflatirem melodias numa superfície ora límpida, ora caudalosa, mas sempre numa sinceridade de correnteza.
Desde o início do projeto, os músicos participaram de uma série de festivais, eventos e shows, dos quais se pode destacar:
Projeto O Pará Canta Roberto – Funtelpa, Belém, 2001.
Eletro Lounge – Eletronic Music Project, Belém, 2002.
Acústico Elétrico Eletrônico (com Henry Burnett) – Ná Figueredo, Belém, 2003.
Festival Cultura de Verão – Funtelpa, Belém, 2003.
Projeto Quinta Cultural do Basa – Banco da Amazônia (abrindo para Jane Duboc), Belém, 2004.
Amazônia Arte Mix – Amazônia Celular (abrindo para Arnaldo Antunes, com outros artistas), Belém, 2004.
Ver-O-Pop In Concert – Funtelpa (com Iva Rothe e Henry Burnett), Belém, 2004.
Lançamento do CD Bem Musical – Waldemar Henrique, Belém, 2004.
Circuito Cultural Banco do Brasil (abrindo para Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede), Belém, 2004.
IV Bienal de Cultura e Arte da UNE, Ibirapuera, São Paulo, 2005.
Projeto Nazaré em Todo Canto - Anfiteatro do Parque da Residência, Belém, 2005.
Projeto Parque Musical (abrindo para Vítor Ramil), Belém, 2006.
Projeto Landi – Praça do Carmo, Belém, 2006.
foto: mário guerrero